Exposição " A BATALHA" por Luis Filipe Azevedo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

EXPO SET14_web1Mais que uma exposição, esta maravilhosa coleção de imagens do fotografo Luis Filipe Azevedo, é considerada pela critica uns dos melhores trabalhos da fotografia contemporânea Portuguesa.

No dia 14 de Setembro, vamos todos estar á conversa com o Luis e conhecer o caminho, a mente e inspiração que o levou a criar esta obra, teremos ainda oportunidade para assistirmos á exibição um pequeno filme sobre o tema, com direcção e realização do fotografo convidado.

Reservem já nas vossas agendas dia 14SET ás 21h no local do costume, para mais uma grande noite! Esta obra estara patente na Galeria de exposições do Independente FC Torrense até ao dia 6 de Outubro de 2016.

Texto pelo Jornalista Agostinho Gonçalves

Luís Azevedo é um Fotógrafo de muitas batalhas mas de uma só guerra, a Fotografia. A Fotografia de moda tem sido o grande esteio onde o Luís se tem confrontado estética e emocionalmente. Aí ele tem um imenso corpo de trabalho que se apresenta como a sua tabela periódica. O Luís foi deixando ao longo dos anos o seu caminho visual pontuado de sinais. Realizando agora uma abordagem ao último trabalho do Luís Azevedo podemos ver o sublime manejamento desses elementos composicionais da imagem, a saber:

 O formato e as dimensões das fotografias: o Luís apresenta as imagens em formato quadrado de pequenas dimensões, cerca de 20x20cm, ou seja, obriga-nos a aproximar do quadrado e a ficar a sós com a imagem. O formato quadrado pretende sempre a quietude mas, nos trabalhos do Luís, o aparente silêncio das imagens revela-se como uma grande mentira. Quando o nosso olhar perpassa a superfície das imagens, é-nos revelado um imenso tumulto e a batalha ganha vida. A beleza da modelo feminina acelera-nos o coração. Os seus olhos não nos são dados a ver, o seu mamilo aprisiona-nos e, imediatamente, o nosso olhar desloca-se para o canto superior direito da imagem, onde um céu trágico prenuncia o desfecho anunciado: A BATALHA.

A composição rigorosa com que o Luís nos presenteia nestas imagens é sublime. Tomemos como exemplo a Fotografia em que se vê a mão da modelo a segurar o cabo da espada; o guarda-mão da espada está colocado na diagonal da esquerda para a direita e de baixo para cima, criando um travão à saída do olhar da imagem pela direita baixa. Depois, em contraste com a aspereza e a rugosidade pressentidas do metal da espada, o Luís coloca a mão da modelo num cinzento tão delicado quanto angelical, e no plano de trás é-nos sugerida antagonicamente a violência do desembainhar da arma e a sensualidade do joelho e da perna da modelo.

O preto e branco que o Luís usa neste trabalho é avassalador. Sabemos que o Luís trabalha essencialmente a cor. A escolha do preto e branco e, sobretudo, do Low Key, dá às imagens uma força e uma profundidade que mais uma vez contrastam com a aparente superficialidade das fotografias. Os tons negros e profundos, qual chiaroscuro renascentista, ganham vida e sentido pelos pequenos laivos de tons cinzentos claros e uns poucos brancos, que reverberam pela totalidade da imagem. Ver por exemplo a imagem em que a modelo veste uma cota metálica e capacete de guerreiro e é fotografada em contre-plongée; só nos é revelada metade da modelo mas a indiciação é total. Depois o Luís cria uma reverberação dinâmica dentro da imagem, entre os reflexos de luz que estão na cota metálica, entre o ombro e o cotovelo, e os pontos de brilho que formam uma linha nos lábios eximiamente desenhados. Um tom de cinza escuro exibe toda a sua carnalidade. O nosso olhar percorre avidamente sinais entre os reflexos da cota metálica e os lábios, sobe ao olho e desce novamente à cota, como se estivéssemos no mundo de eterno retorno.

Finalmente quero agradecer ao Luís Azevedo pelo convite que me endereçou para ver este seu trabalho e reflectir sobre ele, e pela sua indefectível amizade revelada ao longo destes anos.